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BI reduz tempo de produção de relatórios e permite que escritórios contábeis ampliem serviços consultivos
A contabilidade brasileira vive uma mudança de papel. Se por décadas o profissional esteve associado sobretudo ao cumprimento de obrigações e à organização de documentos, a digitalização das operações abre espaço para uma atuação mais estratégica, baseada na análise de dados e na orientação aos empresários.
Um exemplo dessa transformação é a Gumz Contabilidade, de Jaraguá do Sul (SC). Fundado em 1978, o escritório chegou aos 48 anos de atividade sem se restringir aos modelos tradicionais: atende cerca de 1,1 mil empresas, tem aproximadamente 100 colaboradores e utiliza Business Intelligence (BI) para ampliar sua atuação consultiva.
A adoção da tecnologia também impactou o modelo de negócio. Segundo o escritório, a combinação entre BI e consultoria amplia o valor dos serviços ao agregar análise de dados, acompanhamento de indicadores e orientação à gestão. Mais do que elevar o valor dos contratos, o movimento muda a forma de entregar o serviço contábil: informações antes apresentadas em planilhas de Excel ou relatórios em PDF passaram a ser organizadas em dashboards e indicadores que permitem ao empresário acompanhar o desempenho do negócio e decidir.
Da contabilidade operacional à contabilidade estratégica
Embora o cumprimento das obrigações fiscais, trabalhistas e contábeis continue essencial, a transformação digital amplia o papel dos escritórios. Com dados estruturados e ferramentas de análise, a contabilidade deixa de apenas registrar e transmitir informações e passa a contribuir para a definição dos próximos passos do negócio. É aí que o BI ganha relevância: ao substituir processos manuais, planilhas dispersas e análises demoradas por informações organizadas e atualizadas, permite que o contador dedique menos tempo à consolidação dos dados e mais à interpretação dos números e à orientação dos clientes.
Para Gabriel Capano, CEO da HubCount, essa mudança altera a própria proposta de valor dos escritórios. "O empresário não quer mais receber apenas a informação de que uma obrigação foi entregue. Ele precisa entender o que os números da empresa estão dizendo" e tomar decisões a partir disso. Segundo ele, o contador que transforma dados em informação estratégica passa a ocupar um espaço muito mais relevante dentro do negócio.
É nesse ponto que entram as soluções de BI da HubCount, utilizadas pela Gumz para automatizar a organização e a apresentação dos dados, transformando informações contábeis em dashboards e indicadores usados nas reuniões e análises com os clientes.
Menos Excel, mais escala
Na Gumz, a área de consultoria antes trabalhava com dados extraídos do sistema contábil e organizados em planilhas, num processo manual que, nos clientes mais complexos, podia consumir várias horas. Com o BI da HubCount, parte dessas etapas foi automatizada.
"Antes, dependendo da complexidade do cliente, um relatório poderia consumir até cinco horas de trabalho. Hoje, em determinadas situações, conseguimos fazer o processo em cerca de uma hora", afirma Gabriel Ferrari, coordenador de consultoria da Gumz Contabilidade, que classifica o resultado como uma economia de tempo muito grande.
A mudança também permitiu ampliar a escala da operação. Segundo Ferrari, a área passou a atender aproximadamente o dobro de clientes em relação ao período anterior, sem necessidade de crescimento proporcional da equipe. O ganho está em deixar de produzir manualmente informações que podem ser estruturadas uma única vez e atualizadas de forma automática.
Do dado contábil à decisão empresarial
Um dos efeitos mais importantes do BI é mudar a forma como os dados contábeis são consumidos. Um balanço, por exemplo, deixa de ser apenas um documento com números: o empresário pode aprofundar a análise de determinada conta, identificar os lançamentos que compõem aquele valor, comparar orçamento e realizado e acompanhar a evolução dos indicadores.
"O dado contábil sempre existiu. A diferença está em como ele é organizado, interpretado e disponibilizado", afirma Capano. Para ele, o BI permite transformar uma grande quantidade de informações em uma visão que o empresário consegue usar no dia a dia.
Na Gumz, essa mudança também fortaleceu a própria consultoria. O BI passou a integrar pacotes comerciais oferecidos aos clientes, associado à análise de indicadores e às reuniões de acompanhamento. Assim, o serviço deixa de ser percebido apenas como a execução das rotinas contábeis e passa a incorporar uma estrutura de acompanhamento e apoio à gestão, o que amplia o valor percebido e cria novas possibilidades de serviços para o escritório.
Tecnologia como estratégia de crescimento
O caso da Gumz evidencia uma questão que deve ganhar importância para os escritórios nos próximos anos: tecnologia não é apenas uma ferramenta para reduzir custos. Ao automatizar processos, um escritório consegue atender mais empresas com a mesma estrutura, reduzir tarefas repetitivas e liberar profissionais para atividades consultivas; ao mesmo tempo, pode criar novos serviços, ampliar o valor percebido e fortalecer o modelo de negócio.
"Quando um escritório consegue automatizar a produção dos relatórios e, ao mesmo tempo, entregar uma experiência melhor para o cliente, ele ganha nos dois lados. Reduz o esforço operacional e aumenta o valor percebido pelo serviço", diz Capano.
Essa transformação tende a ganhar ainda mais relevância diante de mudanças como a Reforma Tributária, que aumentam a necessidade de interpretação e planejamento por parte das empresas. Para Capano, o escritório que usar tecnologia apenas para automatizar tarefas aproveitará só parte de seu potencial.
"O futuro da contabilidade não está em competir com a tecnologia, mas em utilizá-la. O escritório que conseguir transformar seus dados em informação e informação em orientação estratégica terá uma relação muito mais relevante com seus clientes."
A trajetória da Gumz mostra que a transformação digital não é exclusividade das novas empresas: um escritório com quase cinco décadas de história pode preservar sua experiência e, ao mesmo tempo, mudar sua forma de trabalhar. Nesse cenário, o BI deixa de ser apenas uma ferramenta de relatórios e passa a sustentar um novo modelo de contabilidade — menos operacional, mais consultivo e orientado por dados.
Fonte: Com informações de Jornal Contábil


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